segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

ABSINTO, A PLANTA MÁGICA

Planta perene bastante folhosa, com caules eretos e folhas penatipartidas alternas. Toda a planta está coberta de penugem cinzenta-prateada. Os caules terminam em panículas de capítulos amarelos. Os frutos são aquênios. O absinto cresce na Europa, Ásia e África, em locais secos, entre as associações herbáceas, como erva daninha. É utilizada desde a Antiguidade para tratar perturbações digestivas.



Colhe-se o caule com folhas, que é cortado a cerca de trinta centímetros do cimo do caule. Arrancam-se ao mesmo tempo as folhas da roseta e do resto do caule. A principal substância ativa é um óleo essencial que contém tuiona e tuiol, um suco amargo, a absintina, ácidos orgânicos e taninos. As partes ativas são muito amargas. São utilizadas em tratamentos internos, quer puras quer misturadas, para estimular o apetite, a secreção dos sucos gástricos e da bílis, contra as cólicas intestinais e os parasitas intestinais (como estomáquico, amargo e colagogo). Prepara-se uma infusão à razão de uma ou duas colheres de café de caules cortados por chávena de água ou consome-se diretamente o pó na dose de um grama três vezes por dia. A decocção de absinto é utilizada em gargarejos e compressas sobre as contusões. O caule fresco permite isolar o óleo essencial que entra na composição de uma tintura para aliviar as cãibras. Um consumo prolongado, sobretudo de bebidas alcoólicas à base de absinto, provoca habituação que se manifesta por cãibras, perdas de conhecimento e mesmo perturbações nervosas irreparáveis.



Recente Pesquisa Sobre a Bebida Absinto



Os ricos podem ser diferentes, como diz o ditado, mas os criativos são mais diferentes ainda. O que passa pela cabeça de um artista ou poeta é um mistério. Agora, no entanto, pesquisadores da Universidade da Califórnia em Berkeley, nos EUA, aprenderam um pouco mais sobre o que havia dentro das cabeças dos artistas e poetas mais famosos do mundo. Os cientistas identificaram o mecanismo pelo qual o absinto, licor preferido de Van Gogh, Rimbaud, Baudelaire, Toulouse-Lautrec e outros, afeta a mente. Ele faz os neurônios "dispararem" à toda. Há muito se sabe que o absinto, um destilado de ervas, verde-esmeralda, pode causar convulsões, alucinações e surtos psicóticos; seu uso crônico, danos neurológicos permanentes. O absinto foi considerado a causa do comportamento bizarro de Van Gogh e outros, tendo sido proibido em muitos países no início do século 20.



A pesquisa é a primeira a mostrar como o principal componente tóxico do licor (que não é o álcool) causa o dano. O componente químico, alfa-tuiona, tem uma espécie de efeito negativo duplo sobre o cérebro. Ele bloqueia um receptor que já foi ligado a uma forma de epilepsia. Em condições normais, esse receptor inibe a excitação das células do cérebro, regulando o fluxo de íons (átomos com carga elétrica) de cloro. Bloqueando o receptor, a tuiona permite que as células cerebrais permaneçam excitadas, "disparando à vontade". Kann Hold, uma das autoras do estudo, publicou na revista "PNAS" (Proceedings of the National Academy of Sciences) de Abril de 2000 que "Exatamente como o absinto age, tem sido uma grande dúvida há muito tempo. Ninguém havia anteriormente descoberto qual receptor era afetado", acrescentando que antigamente havia uma teoria de que o absinto atingia o mesmo receptor que o THC, princípio ativo da maconha. A nova pesquisa prova que não.



O trabalho tem mais do que interesse meramente histórico devido ao crescimento do uso de ervas medicinais. O óleo de Artemisia, que contém o componente tóxico tuiona, está presente em algumas preparações de ervas usadas no tratamento de doenças do estômago. Embora raros, acidentes por envenenamento com óleo de artemisia têm ocorrido nos últimos anos, resultando em convulsões e mesmo casos de falência do fígado. O licor de absinto ainda é produzido na Espanha e na República Tcheca, embora a União Européia limite a quantidade de tuiona em menos de dez partes por milhão. Antigamente, o absinto continha até 260 partes por milhão. No absinto moderno, o álcool, que compõe três quartos do licor, é de longe o componente tóxico mais importante.



Fonte: http://www.scribd.com/doc/23860942/A-Planta-Absinto

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