domingo, 30 de outubro de 2011

A Cortesã Frinéia


“Frinéia passou à História como uma prostituta de enorme beleza e foi imortalizada por artistas como Apeles e Praxíteles, dado que, segundo a lenda, sua graça sobrepuja a mais ardente imaginação.

Escreve Mariano Tudela, em sua excelente “Biografia da Prostituição”:

“Frinéia residiu em Atenas. Tinha vindo da sua terra Natal, Téspias, e não necessitou das maquinações e esforços constantes das companheiras para depressa se tornar popular, célebre mais tarde e ambicionada por todos.

“Levava uma vida retirada, quase como que uma mulher honesta. Amava a arte como todo o fogo do coração e assistia com frequência a reuniões em casa dos artistas mais afamados da época.

“Frinéia, a cortesã de Téspias, chegou quase a ser objeto do culto dos homens do seu tempo. Nas festividades de Netuno subia ao templo, aguardava um momento como que para ficar em transe, e depois descia a larga escadaria despojando-se dos vestuário até ficar completamente nua. Com a larga cabeleira ao vento corria imediatamente para a água e molhava-se nela, enquanto seu corpo resplandecia de incrível brancura fazendo chegar até ao paroxismo a admiração dos circunstantes.

“Frinéia saia das águas como uma Vênus que voltasse a nascer. Depois fugia. O silêncio gelado que acompanhava toda a cerimônia quebrava-se imediatamente e estalava uma gritaria ensurdecedora entre as massas de espectadores.

“Gozava talvez da maior fama que jamais uma cortesã pudera alcançar na Grécia, e isso não obstante mal se deixava ver. Apenas nas festas de Netuno ou de Vênus comparecia em público.

“Frinéia, a da beleza, incomensurável, esteve a ponto de ter um fim dramático.

“Solicitada por Eutias, inflamado de amor, ela repeliu-o. De nada valeram as súplicas e as promessas do enamorado. Então, ferido pelo despeito, Eutias decidiu tecer um emaranhado de acusações que fizessem cair em desgraça a bela hetaira.

“Eutias denunciou Frinéia por praticar paródias burlescas dos mistérios de Elêusis. Apoiado pela inveja das demais companheiras da cortesã parece que ia conseguir a morte de Frinéia.

“Um verdadeiro mago da oratória, Hipérides, tomou a seu cargo a defesa da bela, e à hora de repelir as acusações, o orador declarou-se irremediavelmente enamorado de Frinéia, chorou perante o hierático tribunal e pediu que a ira de todos os deuses se desencadeasse sobre Eutias. Hipérides acode a todos os argumentos, esgrime as mais eficazes armas do orador, esforça-se por fazer compreender àqueles homens que o escutam a inocência de Frinéia antes as acusações que lhe fazem… Porém, veteranos na lides forenses, Hipérides compreende que tudo está perdido. Por isso, quando o tribunal vai interrompê-lo para pronunciar a sentença fatal, ele adianta-se, toma por um braço a prostituta, e, com um movimento rápido, espetacular, dramático, rasga-lhe o véu e mostra aos sisudos magistrados a ré completamente nua, ao passo que exclama:

” _ Esquecei, se assim o desejais, todos os meus argumentos! Mas, vêde: não vos seria doloroso condenar à morte a própria deusa Vênus? Piedade para com a beleza!

“Depois de um momento de assombro, o tribunal pronunciou uma sentença que a absolvia! E quando Frinéia morreu, seus amigos e adoradores lhe erigiram uma estátua de ouro no Templo de Diana!”

(Bibliografia: Enciclopédia do Conhecimento Sexual – Vol 2)”
http://rafinhacb.wordpress.com/2011/05/13/estoria-de-frineia-uma-das-mais-famosas-cortesas-da-antiguidade/

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